A exposição A figura da noiva – e a fascinante farsa do véu, reúne 10 obras de artistas que usaram da alegoria da noiva na elaboração dos trabalhos aqui publicados, e está organizada cronologicamente. Com a curadoria de Xicâ G Lima o recorte propõe uma reflexão sobre a figura da noiva e as várias interpretações a que está sujeito o arquétipo.
Participam da mostra os artistas Alfred Eisenstaedt, Bill Eppridge, Bráulio Salazar, Carmela Gross, Colita, Gertrude Kãsebier, Graciela Iturbide, Julia Margaret Cameron, Marcel Duchamp, Maureen Bisilliat, além da própria Xicâ G. Lima.
O título da exposição faz referência aos contos de farsas, onde nada é o que parece ser, levando em conta aspectos históricos e emblemáticos na construção do paradoxo da noiva.
Sobre os artistas selecionados:
Alfred Eisenstaedt (6/12/1898+24/08/1995) nasceu em Dirschau, a oeste da Prússia. Fotógrafo da revista Life, em 1942 viajou por diversos países registrando os efeitos da guerra no mundo, sua fotografia mais conhecida é símbolo do final da segunda guerra mundial, e registra o momento em que um marinheiro norte-americano beija uma assistente de dentista na avenida Times Square.
Bill Eppridge (20/03/1938+3/10/2013), era argentino naturalizado norte americano, tinha o olhar do fotojornalismo devido ao fato de ter trabalhado durante anos para a National Geographic, depois para a Revista Life onde fez coberturas de personalidades da música, entre estas figuram os Beatles, porém talvez seu trabalho mais conhecido seja a célebre fotografia, de Robert Kennedy sobre uma poça de sangue no Ambassador Hotel, em Los Angeles, onde o senador foi alvejado por dois disparos na cabeça, no dia 5 de junho de 1968.
Bráulio Salazar (23/12/1917+26/12/2008) foi um artista plástico Venezuelano, professor de educação artística do Liceu Pedro Gual, da Escola Simón Rodríguez e chefe da oficina de artes do Departamento de Letras da Faculdade de Engenharia da Universidade de Carabobo. Em 1947 foi ao México onde frequentou a Academia de San Carlos e visitou o ateliê de Diego Rivera, bem como as oficinas de Galván, Siqueiros e José Bardasano, com quem aprendeu a técnica da pintura afresco, duco e encáustica. Durante sua estada no México interessou-se pela pintura cubista e assimilou os processos de síntese da forma dessa tendência. Em seus trabalhos a partir dos anos 60 Salazar se preocupou em abordar o tema da figura na paisagem, na fotografia.
Carmela Gross nasceu em 1946, em São Paulo. A artista utiliza em sua obra materiais extraídos do contexto original. Sua produção engloba desenhos, gravuras, pinturas, esculturas e intervenções públicas. A escultura A Negra (1997) é criada pela acumulação de camadas de tule preto, fixadas em uma estrutura de ferro móvel, formando um grande volume vertical com mais de três metros, foi apresentada a primeira vez na avenida Paulista como parte da mostra Diversidade da Escultura Brasileira Contemporânea, produzida pelo Itaú Cultural, hoje integra a coleção MAC-USP.
Isabel Steva "Colita" nasceu em Barcelona em 1940, é especialista em retratos e dedicou-se a fotografar sua cidade e a sua área metropolitana, sempre refletindo a vida cultural e social da Catalunha. A sua obra consta da coleção do Museu Nacional de Arte da Catalunha e da coleção permanente do Museu Reina Sofia .
Gertrude Kãsebier (18/05/1852+1934) nasceu em Iowa, nos EUA, começou a fotografar por volta dos 40 anos, em 1897 abriu seu estúdio de fotografia onde fazia retratos, também se dedicou à fotografia de paisagem e ao estudo de figuras e formas. Foi pioneira do movimento pictorialista e considerada uma das principais retratistas da sua época.
Graciela Iturbide nasceu na Cidade do México, em 1942. Seu trabalho é direcionado a captar as emoções dos habitantes indígenas nas pequenas aldeias do México, perante a necessidade de adaptação à mudança cultural e à modernização. Quando viajou para a Europa conheceu Henri Cartier Bresson, contato que viria a influenciar o seu trabalho. Em 1978, funda o Conselho Mexicano de Fotografia. Todo o trabalho de Iturbide revela uma grande paixão pelo México.
Julia Margaret Cameron (11/06/1815+26/01/1879) nasceu em Calcutá (Índia Britânica), foi uma fotógrafa que tornou-se conhecida por seus registros de celebridades da época, como atrizes. Em 1863, quando tinha 48 anos ganhou uma câmera fotográfica de sua filha, em um ano ela se tornou membro da Sociedade Fotográfica de Londres e da Escócia.
Marcel Duchamp (1887-1968) foi um pintor e escultor francês, naturalizado norte-americano. Foi considerado um ícone do movimento conceitual de arte moderna o “Dadaísmo” e o precursor do “ready-made”. Seu trabalho: A noiva despida por seus solteiros é uma das obras mais importantes da carreira do artista. Em 1913, Duchamp começou a pensar sobre ela e fazer alguns esboços, sendo que em 1915 ele compra as duas placas de vidro que servem como suporte do trabalho. Em 1945, a conceituada revista de moda Vogue estampou em sua capa uma modelo atrás de O grande vidro, como se ela fosse a própria noiva da obra. Duchamp não deu muitas pistas sobre o significado desse trabalho e, até hoje, discute-se sobre ele, pois são muitas as linhas de interpretação.
Maureen Bisilliat nasceu em Englefield Green, Inglaterra, 1931. Veio para o Brasil em 1957, no início dos anos 1960 trabalha para a Editora Abril na revista Realidade. Em muitos trabalhos a artista procurar maneiras de combinar textos literários e imagens. Fotografa o Brasil contado na obra de escritores consagrados, entre eles Guimarães Rosa (1908-1967), Euclides da Cunha (1866-1909) e João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Seu trabalho destaca-se pela singularidade com que funde ficção e realidade em suas fotografias.
Xicâ G. Lima nasceu em Serra Talhada – PE em 1970, veio para São Paulo em 1972, aos 24 anos compra sua primeira câmera, uma Zenit, para fotografar a filha que nasceu no mesmo ano, desde então não parou mais de fotografar, fazendo trabalhos na área da fotografia social. Formou-se em Artes visuais no ano de 2015. A artista tem uma pesquisa voltada aos processos fotográficos, e um interesse particular sobre conceitos como: identidade, presença-ausência, mistério, feminismo e poesia.
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